Quarta-feira, 02 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 12 de julho de 2024
A assessoria de imprensa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o relógio Piaget usado por ele, avaliado em cerca de R$ 80 mil, não foi um presente recebido enquanto era presidente nos seus dois primeiros mandatos.
A informação da equipe do Palácio do Planalto contradiz uma versão anterior de Lula apresentada por duas reportagens publicadas pela imprensa em 2022.
Segundo uma publicação do Metrópoles e outra da Folha de S. Paulo, Lula disse a aliados durante um evento no Rio de Janeiro, em março daquele ano, que ganhou o relógio de presente quando era presidente. Neste caso, Lula deveria ter declarado o bem no sistema da Presidência — o que não ocorreu.
Procurada para comentar a declaração anterior atribuída a Lula, a assessoria do presidente informou que se tratam de informações obtidas “em off”, jargão jornalístico que indica a não identificação de quem passa a informação, e por isso não poderiam ter veracidade confirmada.
“[O relógio Piaget] não foi recebido durante nenhum dos mandatos dele”, assinalou o Planalto. A assessoria do presidente não especificou, contudo, quando e quem presentou Lula com o relógio. A assessoria acrescentou que “tudo que o presidente recebeu na Presidência está catalogado conforme legislação”.
A existência do item considerado luxuoso veio à tona no início de 2022, quando Lula apareceu usando o relógio durante evento de comemoração do centenário do PC do B. Apesar das publicações anteriores de ambos os veículos, é a primeira vez que o entorno de Lula dá uma versão oficial sobre a origem do Piaget.
Até agora, as declarações públicas de Lula sobre a polêmica dos presentes oficiais recebidos por ele mesmo diziam respeito a um segundo relógio, um Cartier Santos Dumont avaliado em cerca de R$ 60 mil. Os valores citados são baseados nos preços em dólar apresentados nos sites de fabricantes e vendedores especializados.
Durante uma transmissão ao vivo do Conversa com o Presidente, em julho de 2023, Lula usava o Cartier e disse que ganhou o relógio em 2005 do então presidente da França, Jacques Chirac.
“Você sabe que esse relógio ficou perdido 25 anos? Eu não sabia onde estava. Agora, que eu fui mudar, fui abrir a gaveta, e ele estava lá”, afirmou, sem corrigir a menção ao período em que o item teria ficado perdido. De 2005 a 2023 são 18 anos.
O Cartier foi um dos itens que passaram por uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2016. Na oportunidade, os fiscais constataram que o relógio foi registrado como um presente da própria fabricante, e não do presidente da França.
Uma confusão entre características e origens dos dois relógios têm sido comuns em publicações e debates sobre critérios para ida de presentes oficiais a acervos privados de presidentes da República.
O Cartier, objeto com caixa quadrada e borda prateada, foi declarado no acervo presidencial. O Piaget, redondo e margens douradas, nunca foi listado nem como acervo da União nem como acervo particular do presidente.
A equipe de comunicação do Planalto, até então, jamais negou publicamente que o Piaget tinha sido um presente oficial ao presidente nem havia pontuado que o presente não tem relação com o mandato. As reportagens do Metrópoles e da Folha não trouxeram manifestação do governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.