O ex-jogador Ronaldo, que em dezembro do ano passado anunciou seu interesse em concorrer à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), segue se movimentando nos bastidores de olho no próximo pleito, ainda sem data definida para ocorrer. Em carta divulgada na segunda-feira (24), ele criticou o processo eleitoral da entidade e pediu que a Fifa e a Conmebol supervisionem a votação.
No documento, Ronaldo solicitou também que o processo eleitoral — que será iniciado pelo atual presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e tem prazo estatutário de um ano a partir de março para acontecer — tenha sua data definida com pelo menos um mês de antecedência. O ex-atacante deseja que a Fifa e a Conmebol participem para garantir “o tratamento isonômico das partes e a preservação da estabilidade institucional”.
Para conseguir se candidatar à presidência da CBF, Ronaldo precisará do apoio formal de quatro das 26 federações estaduais e a do Distrito Federal, e de quatro clubes das Séries A e B. Ednaldo tentará a reeleição. Além do apoio de federações e clubes, Ronaldo também terá que quebrar um paradigma no que diz respeito as eleições da CBF.
Desde 1989, na primeira eleição de Ricardo Teixeira, a entidade nunca teve um pleito com mais de um candidato. A última vez que houve uma eleição com dois candidatos, foi em 1989, quando Ricardo Teixeira, apoiado por João Havelange, derrotou Nabi Abi Chedid, candidato do então presidente Giulite Coutinho. Os bastidores dos processos eleitorais anteriores mostram que as federações costumam optar por apoiar a situação.
O processo eleitoral da CBF é baseado em um sistema de pontos. Os votos das federações estaduais têm peso 3 (totalizando 81 pontos), os votos dos clubes da Série A têm peso 2 (somando 40 pontos), e os votos dos clubes da Série B têm peso 1 (somando 20 pontos). Ou seja, se 24 das 27 federações estaduais decidirem apoiar um candidato, ele atingiria 72 pontos, e a eleição estaria definida, já que a soma de todos os outros votos não ultrapassaria 69 pontos.
Desde dezembro, quando anunciou que tentaria a candidatura, Ronaldo aposta no diálogo “cara a cara” com os presidentes das federações. Um dos principais objetivos do ex-atacante tetra e pentacampeão do mundo é mudar a imagem da CBF e da própria Seleção Brasileira.
A CBF se pronunciou dizendo que recebe a manifestação do ex-camisa 9 com “respeito e atenção”, pontuando que o atual estatuto da CBF foi “revisado pela Fifa” e aprovado pelas 27 federações estaduais.