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Política Saiba o que está por trás do arrependimento de eleitores de Lula e Bolsonaro

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Eleitores de Bolsonaro citam como motivo de arrependimento a prioridade que o ex-presidente dava aos próprios interesses. (Foto: Reprodução)

Em uma sala na Zona Sul de São Paulo, dez eleitores se reúnem em torno de uma mesa retangular. Metade votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição; a outra metade, em Jair Bolsonaro (PL). Embora suas escolhas tenham sido opostas, hoje todos compartilham o mesmo sentimento: arrependimento.

Uma pesquisa qualitativa conduzida pelo Instituto Travessia, a pedido do Estadão, revela as razões pelas quais eleitores das duas maiores lideranças do País estão decepcionados e em busca de uma alternativa para 2026.

O grupo focal (técnica de pesquisa em que um grupo discute um tema sob a orientação de um moderador) reuniu dez eleitores paulistanos: cinco que votaram em Lula e cinco em Bolsonaro, todos arrependidos de suas escolhas. Seis são mulheres, quatro são homens, com idades entre 25 e 65 anos. Eles vêm de diferentes regiões de São Paulo e pertencem às classes B2 e C1, com renda familiar entre R$ 3,5 mil e R$ 8 mil.

A dinâmica foi conduzida pelo cientista político Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia, e o Estadão acompanhou tudo de dentro de uma “sala de espelho”, um espaço que permite a observação dos participantes sem que eles se deem conta de que estão sendo observados.

O preço dos alimentos nas alturas é, de longe, a maior angústia dos eleitores arrependidos de Lula. Uma participante, moradora da Vila França, na periferia da Zona Sul de São Paulo, é mãe atípica e contou que já não consegue mais encher o carrinho de supermercado. Um de seus filhos só come alimentos da cor verde, e, com a disparada dos preços, ela se vê forçada a fazer escolhas difíceis: “Se compro o alface, deixo o brócolis”.

Outro ex-lulista vai na mesma linha e afirmou que toda semana tem sentido o peso da inflação. “Você vai ao mercado já preparado para voltar com menos compras para a casa”, disse.

Mas o descontentamento vai além disso. Embora reconheçam o menor desemprego da série histórica, os eleitores arrependidos de Lula afirmam que o trabalho que existe paga mal e não acompanha o aumento do custo de vida.

Dois anos após apertar o 13 na urna, um estudante de medicina que participou da pesquisa afirmou que Lula se afastou da base que o elegeu. Por outro lado, se aproximou da direita e do Centrão. “Ele esqueceu do eleitor dele, da centro-esquerda, da esquerda. Quem não votou nele, não vai votar nunca”, disse o estudante, que criticou a escolha de ministros de centro-direita. Ele citou a prioridade dada ao agronegócio em detrimento dos indígenas como exemplo do distanciamento do presidente das pautas que o elegeram.

A pesquisa mostra que a preocupação de Lula com a comunicação do governo é justificável. Quando questionados sobre uma marca forte da atual gestão, os dez eleitores se entreolharam em silêncio. Com esforço, alguém arriscou: “Tem aquele negócio… aquele incentivo para os estudantes”. Só então se dão conta: trata-se do programa Pé-de-Meia.

Com um pouco mais de esforço, os participantes da pesquisa acrescentam à lista de bons feitos do governo a retomada das relações internacionais, que saíram desgastadas da gestão Bolsonaro.

Os ministros do atual governo também passam longe da ponta da língua. Quando questionados sobre quem compõe o primeiro escalão do governo, os ministros mais lembrados são Fernando Haddad (Fazenda), associado ao trocadilho “Taxad”, e Marina Silva (Meio Ambiente), com um ex-eleitor de Bolsonaro elogiando a redução do desmatamento sob sua gestão. Já Simone Tebet (Planejamento) passa quase despercebida, e Geraldo Alckmin é visto apenas como vice – ninguém se lembra de que também é ministro. Nem mesmo as trocas mais recentes no governo são mencionadas, como a nomeação de Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais.

Já os cinco eleitores de Bolsonaro citam como motivo de arrependimento a prioridade que o ex-presidente dava aos próprios interesses, deixando o País em segundo plano. “Ele desviou a função da Polícia Federal para encobrir os filhos”, disse um ex-bolsonarista. Outra participante reforçou: “A postura política dele foi muito ruim. Para você ser um político, precisa colocar as questões do País em pauta, não as questões pessoais”.

As acusações de tentativa de golpe de Estado também pesam na avaliação. “Ele fala tanto do povo, mas queria colocar o militarismo. E o militarismo não é bom”, disse uma eleitora aposentada da Zona Leste, que viveu os anos do regime militar. No grupo, não há dúvidas: todos os cinco participantes que votaram em Bolsonaro acreditam que ele tentou dar um golpe em 2022, mas falhou. E a maioria vê um destino provável para ele – atrás das grades.

Cinco anos depois, a gestão da pandemia de covid-19 ainda é lembrada negativamente pelos eleitores de Bolsonaro. Para uma eleitora, “ele minimizou muito a questão da pandemia, foi muito grave, era um momento muito difícil e ele errou, demorou para comprar vacinas”. Outro deles, que é médico, apontou que o ex-presidente “afastou ministros que estavam preocupados com a saúde”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

 

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