Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 27 de novembro de 2021
Avião da empresa boliviana Lamia, fretado pela Chapecoense para transportar sua equipe.
Foto: Agência BrasilApós depoimento da controladora de vôo Celia Monastario à CPI da Chapeconese – que investiga o acidente aéreo do LaMia 2933, o qual vitimou a maior parte da delegação da Chapecoense em 2016 -, senadores perceberam culpa na autuação da Direção-Geral da Aviação Civil da Bolívia (DGAC) na tragédia.
“Se alguém soubesse ou tivesse comunicado que a apólice estava com problema, não teria acontecido o voo. É evidente que se alguém tivesse comunicado que teria algum problema na apólice, o avião não decolaria”, disse o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), relator da CPI.
Celia Monasterio, controladora de vôo que foi presa em setembro, explicou em seu depoimento que ela apenas prestava assessoria à Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares da Navegação Aérea (Aasana). A técnica também afirmou que avisou três vezes ao despachante, ao piloto e à linha área sobre a falta de autonomia do avião.
“As outras informações sempre são de responsabilidade da linha aérea e do piloto, do despachante que tem essa informação, que tem esse conhecimento da aeronáutica civil. Eu, como funcionária da Aasana, não sou autoridade. Nós, como a Aasana, somos prestadores de serviços de tráfego aéreo. A direção da Aeronáutica é que se tem que seguir; é uma instituição que autoriza, fiscaliza todas as aeronaves e os pilotos despachantes que têm licença. Eles são aqueles que autorizam todos os tipos de voo”, esclareceu Celia Monasterio.
Vitória parcial
Na próxima segunda-feira (29), o acidente aéreo que envolveu o time da Chapecoense vai completar cinco anos. E até hoje famílias que perderam pessoas próximas ainda lutam por justiça e indenizações.
Uma dessas famílias é a de Everton Kempes, ex-atacante e um dos 71 mortos na maior tragédia esportiva da história.
A juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região de Porto Alegre, Gloria Mariana da Silba Mota, sentenciou a Chapecoense a pagar um valor provisório de R$ 1,9 milhão à viúva de Kempes, Vanessa Fernandes Cesar Gonçalves, que cuida de dois filhos do ex-atleta, Júlia e João Gabriel. À época do acidente, Júlia tinha dois anos de idade e João Gabriel, sete.
O valor da causa é de R$ 5,9 milhões e os pedidos envolvem indenização para Vanessa e filhos por dano moral, dano material e existencial.
O processo ainda terá novas etapas, pois o clube promete recorrer até a última instância.
“O clube se reserva o direito de se manifestar em juízo e não comenta nenhuma decisão, seja contra a favor de sua tese, pelo respeito que possui às famílias dos envolvidos. O clube não quer discutir, quer indenizar! Precisa apenas ter condições de assumir e pagar”, afirmou Ilan Bortoluzzi Nazário, vice-presidente jurídico da Chape.
A família de Kempes recebeu o seguro obrigatório, que gira em torno de R$ 850 mil, e mais R$ 700 mil, a complementação paga pela Chapecoense, em 36 parcelas.
À reportagem, Flavio Torres, advogado que representa a família, também garantiu que irá recorrer, apesar da sentença favorável.
“A gente entende que não se deve descontar o valor do seguro. A juíza entendeu que a responsabilidade da Chapecoense não foi por culpa, mas objetiva. Vamos recorrer para responsabilidade com culpa”.
O avião que levava a delegação da Chapecoense para a primeira final da Copa Sul-Americana de 2016, partida que aconteceria contra o Atlético Nacional de Medellín, sofreu um acidente após uma pane elétrica e um pouso forçado na região de Antióquia, na Colômbia.
A aeronave estava com 77 pessoas a bordo: 68 passageiros e nove tripulantes – eram 22 jogadores e outras 25 pessoas ligadas ao clube catarinense.