Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2025
De acordo com o comunicado, os Estados Unidos mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil.
Foto: ReproduçãoO governo brasileiro lamentou oficialmente nesta quarta-feira (2) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre todas as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o Brasil afirma que a medida viola os compromissos assumidos pelos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode causar prejuízos significativos ao comércio bilateral.
Segundo o Itamaraty, a nova tarifa, somada a outras já em vigor – como as que incidem sobre aço, alumínio e automóveis –, terá impacto direto sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos.
“A nova medida, assim como as tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a OMC e afetará todas as exportações brasileiras de bens para os Estados Unidos”, afirma a nota.
O governo brasileiro também rejeita o argumento de “reciprocidade comercial” usado pelo presidente Trump para justificar as novas tarifas. De acordo com o comunicado, os Estados Unidos mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil, o que demonstra um desequilíbrio real em favor dos norte-americanos.
“Somados bens e serviços, o superávit [dos Estados Unidos] chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado, o terceiro maior superávit comercial do país em todo o mundo”, diz o texto.
“Ao longo dos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 410 bilhões no comércio com o Brasil.”
Medidas em estudo
Em resposta, o governo brasileiro anunciou que pretende consultar o setor privado para avaliar o impacto das novas tarifas e defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos EUA. O Brasil também mantém aberto o canal diplomático, mas não descarta medidas legais e comerciais, incluindo um recurso à OMC.
“O governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para garantir a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive uma eventual contestação na OMC, em defesa dos legítimos interesses nacionais”, afirmou o Itamaraty.
O comunicado também menciona o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já aprovado no Senado e em análise na Câmara dos Deputados, como um instrumento importante para permitir ações de retaliação em casos como o atual.