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Política Tesoureira nacional do PT se vê como alvo de uma campanha suja, inclusive de companheiros do partido

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A tesoureira do PT, Gleide Andrade, com a primeira-dama, Janja. (Foto: Reprodução)

Há pouco mais de cinco anos, a mineira Gleide Andrade, 53, senta numa cadeira elétrica que já levou à prisão três de seus antecessores. Tesoureira nacional do PT, Gleide enfrenta percalços de outra natureza.

Ela está no centro de uma disputa que levou ao maior racha em 20 anos na corrente que domina o partido, a Construindo um Novo Brasil (CNB), e se vê como alvo de uma campanha suja, inclusive de companheiros de legenda. “Existe um machismo, uma misoginia. Sou vítima disso”, diz.

O motivo mais imediato de sua indignação é o que foi apelidado internamente de “emenda Gleide”, uma mudança no estatuto aprovada pelo diretório nacional no mês passado, para que dirigentes partidários possam permanecer em seus cargos por mais tempo.

A secretária nacional de Finanças (nome oficial de seu cargo) seria uma das beneficiadas. “Chamar de emenda Gleide é uma violência que eu sofro. Não propus essa emenda, e ela não se aplica apenas a mim”, diz.

Por trás da disputa está o controle sobre uma fatia milionária e crescente de recursos públicos dos fundos partidário e eleitoral. No ano passado, foram R$ 753 milhões para o PT, contra R$ 287 milhões em 2020.

Em julho, o partido fará eleição para presidente, e a presença de Gleide na tesouraria virou um ponto de discórdia. Candidato declarado da CNB, o ex-prefeito de Araraquara Edinho Silva não abre mão de indicar um nome para a função, hoje vista como a segunda mais importante da cúpula partidária (após a própria presidência).

Gleide, no entanto, alinha-se a um grupo da corrente formado pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), pelo secretário de Comunicação da legenda, Jilmar Tatto, e pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, entre outros. Eles rivalizam com o grupo de Edinho, que tem apoio, entre outros, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Padilha (Saúde) e do ex-ministro José Dirceu, além da simpatia do presidente Lula.

Nascida em Divinópolis (MG), ela se filiou ao PT aos 14 anos. “Sou de uma família de petistas, em casa eram sete mulheres e um homem.” Uma irmã teve o ex-ministro Luiz Dulci, fundador do partido, como padrinho de casamento, e os dois se aproximaram. “Para mim, ele é um mentor”, diz a tesoureira.

Formada em filosofia pela PUC-MG, deu aula e militou em movimento de professores, mas sua carreira principal foi mesmo na máquina partidária.

Segundo um desafeto interno –que, a exemplo de outros ouvidos pela Folha, não quis expor seu nome–, Gleide é uma típica cria da burocracia do PT, conhecida mais pela articulação do que pela elaboração programática. Exerceu funções em gestões petistas na Prefeitura de Belo Horizonte e na Assembleia Legislativa de Minas.

No partido, ocupou cargos primeiro em seu estado e depois nacionalmente, até chegar à estratégica função de gerenciar o caixa do partido. Religiosa e torcedora do Atlético-MG, tem um filho de uma relação anterior e é casada com Jilmar Tatto. “Eu sou muito mineira, reservada. Você não vai me ver indo para o bar toda a noite”, afirma.

A mineirice dela não é algo unânime na legenda. Adversários dizem que ela é briguenta e autoritária. Segundo um dirigente, no caso de Gleide, o “cotovelo anda na frente do resto do corpo”.

“Sou dura e firme, porque para sentar nessa cadeira tem de ser”, rebate ela, que lista uma série de realizações no cargo. “Criei um programa de compliance, as contas hoje estão equilibradas e tudo é feito com transparência.”

Na eleição do ano passado, ela foi acusada de ter privilegiado aliados e atropelado instâncias na distribuição de recursos. Um caso emblemático foi o de Rogério Corrêa, candidato do PT em Belo Horizonte, que recebeu R$ 8,1 milhões do partido e ficou em sexto lugar, com 4,37% dos votos.

Gleide diz que todas as decisões foram aprovadas coletivamente, pelo Grupo de Trabalho Eleitoral da legenda, e que Corrêa largou bem na disputa e por isso recebeu os recursos. “E se for para falar de erros, vamos olhar para São Paulo, que só elegeu quatro prefeitos”, diz, numa estocada ao grupo que apoia Edinho.

Ao mesmo tempo em que se queixa das agruras do cargo, ela diz, paradoxalmente, que nunca exercer a função foi algo tão tranquilo. “O financiamento público trouxe essa tranquilidade”, afirma. Ela não precisa correr atrás de doações de grandes empresas, que estiveram na origem das prisões de seus antecessores Delúbio Soares, João Vaccari e Paulo Ferreira.

O jeito direto já lhe rendeu dores de cabeça. Em outubro de 2023, Gleide foi às redes sociais para dizer que Israel era “assassino” e não merecia existir, por causa dos ataques a Gaza. Chamada de antissemita por organizações judaicas, teve de se retratar.

Por outro lado, mesmo rivais internos reconhecem sua dedicação ao partido e grande capacidade de trabalho. “Sou como diz o poema de Adélia Prado, uma mulher desdobrável. Se me der dez tarefas, eu cumpro. E cuido de filho, cachorro, da minha mãe e do PT”, afirma. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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https://www.osul.com.br/tesoureira-nacional-do-pt-se-ve-como-alvo-de-uma-campanha-suja-inclusive-de-companheiros-do-partido/ Tesoureira nacional do PT se vê como alvo de uma campanha suja, inclusive de companheiros do partido 2025-03-23
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