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Mundo Trump declara guerra global, a Europa contra-ataca e responderá às bravatas de Washington com tarifas, legislação e rearmamento estratégico

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Até agora, o mundo tem reagido com apatia, acomodação ou aceitação diante das bravatas, bizarrias, bazófias e do bullying de Trump. (Foto: Divulgação/The White House)

Até agora, o mundo tem reagido com apatia, acomodação ou aceitação diante das bravatas, bizarrias, bazófias e do bullying de Trump. No terreno entre as palavras começadas por A e B tem-se cavado um buraco, cada vez mais fundo, de instabilidade e autoritarismo. Hitler contou com o silêncio da comunidade internacional quando anexou a Áustria. Putin sabia que não iria ser impedido quando invadiu a Crimeia em 2014, território ucraniano.

Porém, aqui na Europa, emerge a ideia de que Trump tem que ser travado. Cada vez que a criança embirrada vira o tabuleiro por que não gosta das regras do jogo, há um retrocesso civilizatório. Cada vez que ela firma, em letras desmedidas, mais uma ordem executiva, a ordem internacional encolhe sob o peso do seu narcisismo. Ao anúncio de hoje de novas tarifas “recíprocas” a nível global (“isso significa que o que eles nos fazem, nós iremos fazê-lo a eles)”, a Europa deverá responder “basta”.

A última vez que a Europa atacou militarmente os EUA foi em 1814. Forças britânicas incendiaram Washington, D.C., incluindo a Casa Branca e o Capitólio. Um novo conflito militar é altamente improvável, mas uma guerra econômica de grandes proporções começou hoje a ser travada.

A líder europeia Ursula von der Leyen afirmou, há uns dias, que o velho continente está pronto para retaliar. Mas como? À coluna, Sofia Moreira de Sousa, representante da UE (União Europeia) em Portugal, anunciou que o bloco europeu ainda quer negociar com os EUA, mas “a partir de uma posição de força”. A UE é o maior mercado para as exportações dos EUA, à frente dos seus vizinhos Canadá e México. E os EUA são o maior mercado para produtos europeus. Os negócios transatlânticos valem 9,5 trilhões de dólares por ano. Será uma guerra fraticida.

Aos desvarios alfandegários de Trump, a Europa responderá com taxas aduaneiras agressivas a produtos americanos. Se escalar, a Comissão Europeia poderá também aplicar multas bilionárias por concorrência contra as gigantes de tecnologia dos EUA. Um arsenal de atos legislativos (Regulamento dos Serviços Digitais, Regulamento dos Mercados Digitais, MiFID II) podem sufocar empresas americanas de serviços digitais, de internet e de mercados financeiros. E a UE pode também restringir os direitos de propriedade intelectual das empresas dos EUA que operam na UE.

A embaixadora afirma que a Europa também contra-atacará diversificando as suas parcerias comerciais: “recentemente concluímos o acordo com o Mercosul e iremos fechar um acordo com a Índia até ao fim do ano, para dar apenas dois exemplos”. Em seu discurso, Ursula von der Leyen deixou bem claro que a Europa tem tudo o que é necessário para proteger os seus cidadãos e a sua prosperidade.

Para isso, a União Europeia já anunciou um plano de rearmamento (reArm Europe): 800 bilhões de euros serão investidos nas capacidades de defesa dos países europeus. Irá também concentrar-se em projetos militares emblemáticos que nenhum país pode alcançar sozinho, como a defesa aérea integrada (como a iniciativa Sky Shield), redes de satélites e drones da próxima geração. Atualmente, os EUA têm mais de 80 mil militares aquartelados em solo europeu, um resquício direto da arquitetura de segurança montada após a Segunda Guerra Mundial. Mas esse número deverá emagrecer expressivamente nos próximos anos.

Decisões jokenpô como a de hoje têm feito bem à governança da Europa. Da mesma forma que, há 24 séculos, as cidades-Estado gregas, que viviam em constante rivalidade (como Atenas, Tebas e Esparta), se uniram temporariamente para resistir à invasão do Império Persa, a Europa está tentando reagir com alguma agilidade, não vista há muito tempo. Sem usar bonés, aqui no continente os europeus começam a sentir o Make Europe Great Again (MEGA). Como disse a presidente von der Leyen, “os cidadãos da Europa devem saber que juntos promoveremos e defenderemos sempre os nossos interesses e valores.”

O anúncio é um momento decisivo para a Europa, mas será um momento ainda mais decisivo para Trump. (Análise de Rodrigo Tavares/Folha de S.Paulo)

 

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