Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 18 de janeiro de 2018
Um homem no Reino Unidos usou o Google para corrigir uma injustiça que durou 43 anos. Stephen Simmons ficou preso oito meses entre 1975 e 1976 por roubo de cargas do correio, mas usou o site de buscas em processo deste ano para comprovar sua inocência. As informações são do jornal britânico The Guardian.
Stephen foi preso em 1975 juntamente com dois amigos no Sul de Londres pelo policial Derek Ridgewell, que lhes imputou alguns crimes. Eles foram aconselhados por um funcionário do governo a se declararem culpados pois, se chamassem a polícia de mentirosa, pegariam uma longa pena.
Eles, no entanto, declararam inocência. Mesmo assim, Simmons foi enviado para um centro de detenção de jovens, onde ficou por oito meses. Ele contou que a condenação o assombrou sua vida inteira e que demorou anos para contar a suas filhas sobre o período.
Conselho
Tudo mudou para Simmons quando um comentarista de assuntos jurídicos de uma rádio o aconselhou a pesquisar no Google o nome do policial que o havia prendido. Desconfiado, fez a pesquisa e descobriu que Derek foi condenado em 1980 pelo roubo de cargas de correio no valor de 300 mil libras esterlinas (aproximadamente R$ 1,3 milhão). Ele morreu na prisão dois anos depois.
Assim, Simmons apresentou a sua descoberta em uma comissão de revisão de casos criminais que gerou uma apelação pela revogação de sua sentença. O juiz acatou, alegando que se tratava de um “caso especial”, e se desculpou pela injustiça ter persistido por tanto tempo.
“Esse é um dos dias mais felizes da minha vida”, falou Stephen ao jornal The Guardian. “Eu não sou mais um criminoso. Agora posso andar com a cabeça erguida”, declarou.
O que veio à tona posteriormente é que o policial Derek também estava envolvido em uma série de casos notórios em que ele acusava falsamente jovens negros de furtos no metrô de Londres.
Mágoa
Atualmente com 62 anos, um homem de negócios, casado e com duas filhas, Stephen Simmons fica com a mágoa de os pais nunca terem acreditado na sua palavra.
“Pertenciam a uma geração para a qual não era possível a polícia mentir”, afirmou, acrescentando que lhe é difícil também esquecer os dois amigos, igualmente condenados na altura. Afetado pelo caso, um deles tornou-se alcoólatra e veio a morrer anos depois: “Ridgewell arruinou três vidas sem qualquer razão e tenho a certeza que muitas outras. Se isso puder ajudar alguém que também foi preso por ele, pelo menos algo terá sido alcançado”, disse.