Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2025
Tema foi debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado e Ibraoliva apresentou números de perdas.
Foto: ReproduçãoDurante audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, entidades representativas dos produtores, o governo estadual e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) debateram, nessa quinta-feira (3), o uso de herbicidas hormonais e a deriva em sua aplicação. A reunião foi proposta pelo deputado Elton Weber (PSB) e realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Casa.
O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Renato Fernandes, participou do encontro e destacou que o azeite gaúcho recebeu 500 premiações nos últimos cinco anos. No entanto, alertou para quedas na produtividade e o desânimo de produtores que cogitam abandonar a atividade:
“Pessoas interessadas em ingressar no setor estão preocupadas com a proximidade de lavouras de soja em relação às suas propriedades. Isso nos causa grande apreensão quanto ao futuro. O que pode acontecer com uma cultura de médio e longo prazo? Teremos condições de dar continuidade? Será que a fruticultura poderá ser implementada dentro do bioma Pampa? Aliás, o Rio Grande do Sul tem um bioma único e, ao mesmo tempo, é o menos protegido do País”.
Fernandes ressaltou que a produção nacional de azeite ainda não atende ao consumo interno, estimado em mais de 100 milhões de litros anuais. Os olivicultores previam alcançar uma produção próxima de um milhão de litros, mas os números ficaram abaixo da expectativa. Em 2023, foram produzidos cerca de 600 mil litros; em 2024, a produção caiu para 192 mil litros, e, neste ano, a projeção é de menos de 300 mil litros. Ele atribuiu parte dessa redução à deriva dos herbicidas: “Esse termo tão bonito pode ser traduzido de uma forma mais clara para que a opinião pública entenda a gravidade do problema. No meu entendimento, trata-se, nada mais, nada menos, do que vazamento de veneno para nossas frutas. É preciso ir além do discurso e das normativas”.
Na sequência, Fernandes cedeu seu tempo de fala ao professor de Fruticultura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Vagner Brasil. O pesquisador destacou que há estudos não apenas sobre os efeitos da deriva do 2,4-D, tema central da audiência, mas também do Dicamba e do Triclopyr:
“Em mudas de oliveira, observamos redução na assimilação de CO₂ e na fotossíntese líquida após a aplicação do 2,4-D. Ou seja, a planta tem sua capacidade fotossintética comprometida, e isso, no caso da oliveira, prejudica toda a produção do ano seguinte, pois os frutos e ramos que se desenvolveriam para a próxima safra são afetados. Se houve deriva, além da safra atual, já estamos comprometendo também a produção do ano seguinte”.
Brasil também citou um estudo de laboratório no qual foram aplicadas diferentes doses de herbicida no pólen da oliveira. “Na cultivar Arbequina, observamos uma redução de 44% no tamanho do tubo polínico, enquanto na Koroneiki essa redução foi de 38%. Além disso, dependendo da dosagem aplicada, até 100% do pólen tornou-se inviável para o processo de polinização”, concluiu.
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